Acredito ser impossível falar sobre as possibilidades de reversão das desigualdades sociais através do sistema escolar, sem antes questionar o sistema capitalista pós-industrial, que por si só, já é excludente.
O capitalismo se consolidou a partir da Revolução Francesa, que tinha como princípios a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Porém, onde estão esses mesmos princípios em um sistema político, econômico e social que, além de acirrar a luta de classes se mantêm fundamentado em relações de trabalho baseadas na exploração?
Infelizmente, vivemos em uma sociedade capitalista pós-industrial, que mantém a idéia da "meritocracia", que leva o indivíduo a passar por experiências de exclusão em diversas instâncias, desde a infância. Esse processo de destruição se si mesmo, de baixa auto-estima, e conseqüentemente de exclusão social, pode não ter fim, "é exclusão da terra, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida, e da cidadania. Quando uma pessoa chega a ter fome é porque tudo o mais já lhe foi negado". (Herbert de Souza).
A "sociedade da informação", chegou com ares de inclusão, mas na verdade isso é um um processo ilusório, pois essa mesma sociedade se comporta conforme as leis do mercado e do lucro, incluindo e excluindo de acordo com estas leis. Esse quadro é preocupante, pois agora além do letramento, a tecnologia pode ser usada, ou não, para reproduzir as desigualdades sociais e conseqüentemente manter diversas formas de preconceitos e exclusões.
Mas penso que diante de tantos desafios, temos também possibilidades... Somos cada um de nós, responsáveis por nossas atitudes e se faz cada vez mais urgente que elas sejam tomadas de forma consciente para mudar esse cruel quadro social. " Combater essa lógica é fazer da escola um espaço de resistência, um espaço de questionamento". A partir da informação, podemos ampliar as possibilidades da palavra aprender, e este aprender, desde que subordinado às necessidades do homem, pode realmente mudar o mundo, como já fez tantas vezes". (Vladimir de Paula Brito).
Sendo assim caros colegas, nós enquanto estudantes da educação, e futuros pedagogos devemos refletir sobre o importante papel da escola como mecanismo de inclusão social. Mas principalmente devemos refletir sobre nossas próprias atitudes... Tenho certeza que podemos fazer muita diferença.
"Gosto de ser gente porque, mesmo sabendo que as condições materias, econômicas, sociais, políticas e ideológicas em que nos achamos geram quase sempre barreiras de difícil superação para o cumprimento de nossa tarefa histórica de mudar o mundo, sei também que os obstáculos não se eternizam."(Paulo Freire)
Abraços.
Giovana Delgado
